Alimentação dos cavalos

Dando continuidade ao tema abordado na edição de outubro, neste mês iremos discutir aspectos importantes com relação aos concetrados (rações).

Hoje em dia, existe uma grande variedade de rações disponíveis no mercado, e uma das perguntas que escuto com mais frequência é: Qual a melhor ração para oferecer ao meu cavalo?
A maioria das rações desenvolvidas por marcas já consagradas são boas, mas, ainda melhor, é a ração que você pode contar com um bom fornecimento, garantindo que não irá faltar e que esteja sempre fresca.
Não é indicado comprar uma ração que supere os 30 dias de fabricação. Procure sempre por rações novas e que estejam bem armazenadas.
No momento de escolher a marca da ração, a eficiência do fornecimento tem que ser levada em conta. Deve ter uma boa logística, entregar os concentrados nos tempos combinados e dentro da validade.

Tipo de ração

Com relação às opções de concentrados, existem os mais energéticos, mais protéicos, enriquecido com vitaminas e aminoácidos, etc… A escolha por um ou outro tipo de ração deve obedecer às características e necessidades de cada animal.
Cada cavalo atleta precisa ter uma alimentação individualizada que vá suprir suas carências específicas. Esse procedimento demanda mais programação, gerenciamento e atenção dos tratadores, mas apresenta um resultado final bastante positivo.
Exemplo: Um cavalo de temperamento quente saltando as categorias de base com uma criança e que se alimente de uma ração bastante energética, provavelmente terá essa característica potencializada, estará mais ansioso, prejudicando o rendimento do conjunto. Neste caso, o ideal seria disponibilizar uma ração pouco energética, equilibrando o temperamento do cavalo e contribuindo para uma montaria mais agradável. Por outro lado, se o cavalo apresenta um comportamento linfático e irá saltar GPs de 1,50m , irá necessitar da ração mais energética disponível. Outras características podem ser citadas como animais com tendência a obesidade ou facilidade em emagrecer.
Traçar o perfil do seu cavalo e entender suas necessidades é o primeiro passo para acertar na escolha da ração.
A relação entre a característica de cada cavalo, seu uso, intensidade de provas e a que categoria está servindo pode ser avaliada pelo seu veterinário para que encontre a rotina alimentar mais adequada.

Questão de sabor

Outro fator importante, porém pouco discutido, é a palatabilidade, o paladar. Alguns cavalos comem vagarosamente ou mesmo deixam parte da ração no cocho. Existem muitos fatores que levam a este comportamento, mas a causa pode estar simplesmente no paladar.
Exemplo: Algumas rações utilizam muito óleo a fim de conferir maior nível energético, porém alguns animais rejeitam o alimento devido ao sabor. Para estes cavalos quando se oferece uma ração menos oleosa já se vê resolvido o problema.
Não adianta oferecer uma ração com muita energia e o animal não comer. Quando é este o caso, é possível aumentar o volume de uma ração menos energética e equilibrar o ganho de energia prometido por outros concentrados.
Para o cavalo atleta, a ração deve ser dividida em porções ao longo do dia, e uma porção nunca deve passar de 3 quilos de concentrado.
Se este cavalo atleta come até seis quilos de concentrado por dia e costuma viajar para competições, a ração deve ser oferecida duas vezes ao dia, pela manhã e ao final da tarde.
Muitas pessoas pensarão que estou indo contra as bases da alimentação saudável quando indico que ofereça concentrados apenas duas vezes em 24 horas. Geralmente, o animal em questão tem uma rotina fixa de horários para o trabalho no clube e outro cronograma imprevisível para prova, assim, se você oferece três refeições em casa e durante um campeonato não consegue a mesma frequência, estará quebrando mais uma rotina.
Cavalos adoram e precisam de rotina.
Exemplo: Nas viagens um tratador atento e consciente faz a diferença, ele sabe que seu cavalo fica ansioso quando se aproxima o horário da ração. Para um animal habituado a comer às 17hs e que tem prova marcada às 19h, o stress de não receber a alimentação no horário provavelmente o deixará tenso e nervoso, prejudicando a performance. Para ele o ideal é adiantar a alimentação para as 16:30h para que se acalme, assim terá de duas a três horas de digestão e depois da prova receberá o restante do volume.
Já para um cavalo que não viaja para competições, como os de escola e de atletas amadores, dividir a ração em três momentos é o ideal.

Minerais

Outro tópico de fundamental importância é o fornecido diário do sal mineral.
O cavalo apresenta avidez pelo sal conforme sua necessidade, por isso, o sal deve ser oferecido separadamente da ração, e nunca acrescentado a ela.
A opção pelo sal “pendurado” na cocheira é uma boa escolha, pois são de fácil manejo, não sujam com facilidade e apresentam boa qualidade nutricional.
A popular mistura de sal, aveia e outros elementos a ração definitivamente não é uma boa ideia.
As empresas produtoras de ração gastam fortunas com pesquisa nutricional, até chegar a uma fórmula adequada, equilibrada com o objetivo de oferecer uma ração balanceada e de qualidade.

O bom tratador:

O diálogo entre o tratador e o veterinário da equipe é fundamental para detectar e solucionar os problemas:
- O tratador deve observar a maneira como o cavalo está se alimentando. (Se está comendo rápido, se está largando ração pela cocheira, etc…)
- O cocho deve estar sempre seco e limpo, nunca úmido.
- Após uma ou duas horas, retirar a ração que o cavalo não comeu.
- Não misturar ração nova com ração velha.
- A ração deve ser armazenada em local seco, sem contato direto com o chão ou com a parede (para isso, utilize um estrado).
- Sacos de ração abertos devem estar com a “boca” dobrada, de preferência dentro de recipientes com tampo, como baldes grandes ou baús (evitando o contato com roedores, gambás e gatos).

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