Alimentação dos cavalos

A fim de explicar a fundo alguns aspectos importantes da alimentação equina, iremos dividir o tema em três tópicos principais: o volumoso, o concentrado e os suplementos. Nesta edição, abordaremos os volumosos e suplementos e na edição seguinte os aspectos dos concentrados.

Quando pensamos em alimentação, devemos considerar que a água é a prioridade, principalmente para o cavalo atleta que depende de uma ótima hidratação para apresentar boa performance. A musculatura, durante o exercício, exige um volume extra de água, além do consumo utilizado na digestão.
A água tem que estar fresca e servida num sistema renovável, o cocho deve ser limpo diariamente. Em cocheiras de circo recomendo utilizar dois baldes para garantir que sempre terá uma boa quantidade à disposição.

Volumoso

O cavalo é um herbívoro. Seguindo este conceito, temos que alimentar não o cavalo, e sim sua flora intestinal, que é a responsável pela digestão. Uma flora intestinal saudável gera uma digestão de qualidade. É de fundamental importância que o volumoso seja adequado, já que temos uma grande variedade devido as diferentes regiões do país.
O cavalo deve comer em torno de 1% do seu peso corporal em volumoso, isso não é uma regra, então um cavalo de 600 kg deve comer em torno de 6 a 7 quilos de volumoso dia. Isso também vale para o concentrado, entretanto isso pode se equilibrar com mais de um e menos de outro.
Qual que é o melhor volumoso para meu cavalo? O melhor volumoso é sempre aquele que é o mais fácil e mais acessível na sua região. O mais importante é sempre procurar a melhor qualidade do volumoso. A região Sul, por exemplo, tem uma alfafa muito boa e facilidade para se obter esta alfafa. Já nas regiões Sudeste, Centro-oeste e Nordeste, é muito complicado se ter alfafa. Nestas regiões aconselho os fenos de gramíneas que são de melhor qualidade e mais acessíveis.

Diferenças entre feno de alfafa e gramíneas:

A alfafa é muito rica em proteína e fósforo, e, por sua vez, pobre em energia e cálcio, e isso desequilibra a nutrição do cavalo atleta. Já o feno de gramínea é mais equilibrado, tem um pouco menos de proteína, porém apresenta mais energia e uma digestão mais fácil, sem contar que seu gosto é mais atrativo para os cavalos.
Outra diferença importante é que, pelo excesso de proteínas, não é recomendado dar uma grande quantidade de alfafa para o animal. Ao contrário do volumoso de gramíneas, que se pode dar à vontade e faz com que o animal passe mais tempo mastigando, o que diminui a ociosidade na cocheira. Isso o aproxima mais do seu estado natural, já que o cavalo em liberdade pasta em torno de 18 horas/dia. Esta diminuição na ociosidade faz com que também diminuam os vícios desenvolvidos dentro das cocheiras.

Flora intestinal

A flora intestinal bem equilibrada é a parte fundamental na alimentação dos equinos. Tendo em vista que não adianta o proprietário gastar com rações caras e em alta quantidade se esta ração é pouco absorvida pelo aparelho digestivo do animal. O que muitas vezes ocorre é um proprietário estar dando 8 kilos de ração/dia para o cavalo engordar e este animal não engorda pois a flora intestinal não está fazendo a absorção adequada deste alimento. Nestes casos podemos observar grãos de ração inteiros nas fezes do animal, constatando que boa parte da ração não está sendo digerida. Isso se dá devido a um volumoso de má qualidade ou a falta de volumoso. A melhor ração, sem um bom volumoso, não surte efeito. A prioridade deve ser sempre o volumoso. O feno de alfafa, o feno de gramínea ou até mesmo a gramínea in natura, que seria o capim verde, que também tem que ser muito bem pensado, pois se você está em um haras ele é o mais indicado, porque ele vai estar fresco, o corte será diário. Entretanto é importante que seja mesclado com o feno ou alfafa para que, quando o cavalo estiver fora de casa, em concursos, ele possa ter um volumoso a que já esteja adaptado, já que para cada alimento se tem uma flora específica. A flora que faz a digestão do feno de gramínea não é a mesma que faz a da gramínea in natura.

Troca de volumoso

Assim também funciona quanto a mudança de alimentação. Para se trocar a ração do cavalo o processo é feito com a intercalação da ração antiga pela nova até que a antiga seja totalmente substituída. O mesmo deve acontecer com o volumoso, que deve ser substituído aos poucos para que haja tempo para a constituição da nova flora.

A qualidade do volumoso

O melhor volumoso é aquele que tem maior predominância de folhas do que talo. Apesar de que em determinadas estações do ano é comum acontecer o inverso, fenos com muito talo e poucas folhas. O talo não é nutritivo, ele é de baixa digestiblidade, enquanto que as folhas oferecem grandes elementos nutricionais.
Uma possibilidade para evitar esta sazonalidade é estocar o feno. Este bem estocado pode durar até um ano e meio, sem problemas. Caso ele fique em contato com a luz ele pode amarelar , entretanto não perde a digestibilidade.

Frequência de ingestão de volumoso

Dividir a quantidade estipulada do dia em 4 fornecimentos é o mínimo ideal. Os bons tratadores, que estão sempre em contato com o cavalo, vão percebendo se o cavalo comeu, o quanto comeu, a velocidade que ele ingere, etc. O aconselhável é dividir o volumoso em pelo menos 4 porções diárias, podendo ser mais dependendo do cavalo. Para mim, o melhor é dar sempre pela manhã uma pequena quantidade junto com a ração, até mesmo para aliviar um pouco a ansiedade, já que o animal vem de uma noite inteira de ociosidade, na hora do almoço o segundo fornecimento, às 14 h ou 15 h da tarde o terceiro e junto com a ração da noite o quarto e maior fornecimento do dia para o cavalo passar um pedaço da noite comendo.

Suplementos:

A cenoura é um bom suplemento, entretanto como o nosso país é um país tropical, ela estraga e fermenta. Então ela é uma das maiores causas de cólica, não a cenoura em si, mas por causa do mau manejo dela. A cenoura pode ser dada, desde que seja fresca, e, neste caso, caso temos que nos lembrar também da questão da flora intestinal do cavalo: um animal que não está acostumado a comer cenouras e é dado a ele de um a dois quilos de cenoura, isso vai afetar negativamente a digestão do animal.

Aditivos:

Existem muitos suplementos no mercado para todos os tipos de necessidade: suplemento para dar energia, para aumentar a massa muscular, para acalmar o cavalo, para melhorar a contagem de glóbulos vermelhos, ou seja, diversos tipos de suplementos. Eu indico todos, contando que o cavalo necessite. Esses suplementos devem ser usados conforme as necessidades porque não é bom suplementar um cavalo que não precisa, porque na hora que ele necessitar você não tem mais o que dar para ele, porque ele já está recebendo tudo. Então alimentação básica, manejo básico, trabalho básico, são as melhores maneiras de manter seu cavalo em forma.

Açúcar:

O açúcar é muito bom para o cavalo, o cavalo adora! Entretanto deve ser um agrado. Nada mais que um agrado. Em pequenas quantidades não faz mal nenhum. Pode ser um uso diário, mas com baixa quantidade. Um exemplo é o mel para cavalos que têm problemas respiratórios. Ele pode servir também como um agrado porque o cavalo adora doce, além de surtir um grande efeito positivo para as vias respiratórias. Os agrados moderados não têm nenhuma contraindicação.

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