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Meu cavalo de 12 anos começou a morder o freio, balançar a cabeça com força de um lado para outro e puxar em demasia a rédea querendo disparar. Há um ano atrás não era assim. O que pode ser?

Pergunta Veterinária Edição 28 | Comentários

Pergunta feita por: Osvaldo Cuoghi

Estes são alguns dos sintomas típicos de alterações na cavidade oral. É importante lembrar que todos os cavalos, independentemente de raça, idade ou função, devem ser revisados por um veterinário especializado em odontologia equina, pelo menos uma vez ao ano, para garantir uma boa saúde bucal, evitando problemas como este. Devido à anatomia e à fisiologia da mastigação na espécie equina, por mais correta que seja a oclusão das arcadas dentárias do seu cavalo, favorecendo um regular desgaste dos dentes na superfície de mastigação, ele fisiologicamente desenvolverá, de forma continua, pontas de esmalte dentário extremamente afiados, que inevitavelmente lesionarão a língua e a bochecha, gerando cortes e ulcerações que causam grande desconforto ao animal. Este excesso de esmalte dentário deve ser reduzido e nivelado adequadamente por um profissional habilitado, com equipamento adequado, a fim de corrigir o problema e permitir um adequado e suficientemente amplo movimento elíptico das arcadas dentárias, de maneira que ocorra uma eficiente mastigação do alimento apreendido pelos incisivos, bem como permitir que as arcadas dentárias deslizem longitudinalmente e lateralmente, sem obstáculos ao movimento das mesmas, durante o trabalho do animal, não causando dor.
Diversas outras patologias dentárias também podem estar associadas no caso do seu animal, tais como: ganchos, rampas, ondas, degraus, fraturas dentais e cáries entre outras, além da presença do “dente de lobo” (que aparente ou incluso, quando em contato com a embocadura, causa desconforto). Estas alterações devem ser corrigidas periodicamente em um intervalo médio de 6 meses para cavalos de esporte ou, no mínimo, a cada 12 meses para cavalos de passeio. Isso se deve ao fato de os equinos serem hipsodontes: possuem uma coroa bastante longa, onde uma parte localiza-se acima da gengiva (coroa clínica) e outra abaixo da gengiva (coroa de reserva), emergindo à medida que o dente erupciona de forma contínua (Elodontia), cerca de 2 a 3mm por ano, até cerca de 18 anos de idade.
Enfim, um correto manejo dos dentes do seu cavalo, por um profissional habilitado, além de promover maior conforto bucal e melhor performance, deixando-o mais calmo e submisso às ajudas do cavaleiro, também aumentará a eficiência do aparelho digestório. Desta forma, o animal precisará ingerir menor quantidade de alimento concentrado e este, devidamente digerido, reduzirá significativamente o risco de cólica.

 


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