Revista Mundo Eqüestre -

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Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano

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Vitor Alves Teixeira

Experiência a toda prova

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Foi em 1972 que o cavaleiro Vitor Alves Teixeira percebeu que passaria boa parte da sua vida com os pés fora do chão. Do seu primeiro Campeonato Brasileiro de Mirim, realizado no Clube de Campo de São Paulo, o ginete saiu sem medalhas, mas com a sensação de que poderia ir além.

Hoje, ao enumerar os títulos mais importantes de seus 36 anos de carreira, fica claro quanto Vitor foi longe: dez vezes campeão brasileiro Sênior Top, três ouros por equipe e duas medalhas de bronze individual em Jogos Pan-americanos, cinco vezes vice-campeão brasileiro. Se as vitórias fossem, por si só, medidores de sucesso, Vitor poderia parar por aqui. Porém, na opinião do cavaleiro, tão importante como obter bons resultados é dar exemplo, ser humilde e consciente. E o exemplo que Vitor deixa é o da superação. Alem de ginete, ele é técnico e desenhador de percurso internacional e afirma que sua meta em 2008 é conquistar uma vaga para representar o Brasil na Copa do Mundo de Saltos. Não pela primeira, nem pela segunda, mas pela nona vez.



Como você começou no hipismo?

Comecei a prática do hipismo com 13 anos, a convite do presidente da Sociedade Hípica de Brasília, o general Fidelis Chaves da Silveira. Logo de cara, me apaixonei pelo esporte e, em menos de um ano, já representava a Federação Hípica de Brasília em um Campeonato Brasileiro de Mirim. Desde aquele campeonato, o hipismo é minha vida. Sou muito grato ao esporte, graças a ele, conheci muitas pessoas especiais e boa parte do mundo.



Qual o título de qual você mais lembra?

O meu resultado mais emocionante foi como 12º colocado no Campeonato Mundial de Estocolmo, de 1990, com o cavalo com quem eu tinha sido medalha de ouro por equipe nos Jogos Pan-americanos em Cuba, Zurkiso. Um cavalo nacional, com 1,52m de estatura, na época considerado o menor cavalo de salto do mundo. No meio de tantos cavalos mundialmente renomados, alcançar a 12ª posição foi um resultado muito marcante.



E agora que você é técnico, prefere dar aulas ou montar?

Eu ainda gosto muito de saltar, me encontro bem fisicamente e com experiência suficiente para conquistar títulos para mim e para o Brasil, mas confesso que hoje tenho muita satisfação nos triunfos dos meus alunos. Alguns deles fazem parte da equipe brasileira, disputando Jogos Olímpicos e Pan-americanos. Penso que me dedicarei mais ainda à instrução desses alunos. Quanto mais direcionado é o esforço, maior a probabilidade de sucesso. Acredito muito no potencial desses novos atletas.



Como desenhador de percursos, quais características tornam umapista difícil?

O desenho da pista deve acompanhar os avanços técnicos do esporte. Os percursos de hoje em dia são muito diferentes dos utilizados 30 anos atrás. Um percurso técnico é caracterizado por obstáculos delicados, que podem cair ao simples toque do cavalo. Usar distâncias variadas e obstáculos estrategicamente pensados para testar a parte física e emocional do conjunto é vital para distinguir o melhor ginete. Mesmo assim, nunca devemos usar os cavaleiros como cobaia e sim utilizar da dificuldade técnica para promover o aperfeiçoamento dos conjuntos e do esporte.



Qual o seu objetivo para este ano?

Tenho como meta para 2008 garantir a vaga para a Copa do Mundo do ano que vem e representar o Brasil pela nona vez. Por enquanto, estou com o terceiro lugar. As outras classificatórias para a Copa do Mundo serão realizadas em Santo Amaro, em São Paulo, e no Rio de Janeiro.



Qual o seu principal cavalo?

O cavalo que mais se destaca atualmente com possibilidade de títulos nacionais e internacionais é o garanhão da raça Brasileiro de Hipismo, Yuri Climber Itapuã. Comecei a montar o cavalo no início do ano e já ganhamos dois Grandes Prêmios e diversas classificações, além da quinta colocação no Campeonato Brasileiro. Yuri é um cavalo que está em fase de aprendizado, mas possui uma qualidade impressionante. Fez as seletivas olímpicas de forma brilhante e tem dado muitas alegrias para mim e para seu proprietário Victor Hugo Climber. Tenho certeza de que ele conquistará uma das duas vagas para a final da Copa do Mundo 2009, que será realizada nos Estados Unidos.



O que define um cavaleiro de sucesso?

O hipismo é um esporte que exige dedicação total, onde a experiência conta muito. Um bom profissional tem que ser um bom cavaleiro na hora da prova, mas dar exemplo fora da pista também. Uma boa carreira precisa de grandes resultados, mas um grande cavaleiro se define com humildade e consciência.