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Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano

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Equoterapia

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O contato com o cavalo, orientado por uma equipe multiprofissional, pode ajudar a desenvolver a autoconfiança, a afetividade, o aprendizado e a psicomotricidade. Indicada para pessoas que apresentem dificuldade motora, deficiência mental, distúrbios de comportamento e necessidades educativas especiais, a Equoterapia é um método terapêutico reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina do Brasil desde 1997.

A Equoterapia é, por definição, um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem multidisciplinar e tem por objetivo o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de deficiência e/ou com necessidades especiais. Para explicar melhor o significado desse conceito, nossa equipe entrevistou as psicólogas Pamela Diaz Sotomayor e Ylna Opa Nascimento. Pamela é chilena, equoterapeuta, especializada em psicopatologia infanto-juvenil e trabalha com reabilitação de menores infratores. Ylna é brasileira e atua na ANDE, a Associação Nacional de Equoterapia. Juntas, elas esclarecem o que faz da Equoterapia o método de reabilitação mais humano da atualidade.



Como funciona a Equoterapia?



Pamela A Equoterapia trabalha três áreas específicas: a hipoterapia, a psico-educação e o esporte. A hipoterapia tem relação com a parte motora, pode ser ativa ou passiva, dependendo se o paciente tem controle ou não do tronco. O movimento ao passo do cavalo faz com ele experimente movimentos e sensações muito próximas ao andar dos seres humanos. Pacientes que antes não imaginavam a sensação de caminhar passam a sentir isso através do cavalo. E os neurônios da área motora do cérebro são estimulados. As novas conexões feitas no cérebro pelo andar do cavalo servem como neurônios espelho para o paciente.



Ylna O passo do cavalo é um simulador da marcha humana, o cavalo é o único animal que tem essa característica. Devido à plasticidade cerebral o paciente deficiente físico aprende a realizar os movimentos de maneira mais precisa e com melhor postura. Pamela O segundo nível é o da psico-educação, em que crianças com Déficit de Atenção e Síndrome de Down, que não são patologias motoras tão severas, desenvolvem a concentração e a memória. A terceira área de Equoterapia é a esportiva. É realizada quando os pacientes já cumpriram os objetivos dos outros dois níveis anteriores. Nesta área são trabalhados crianças e adultos que não apresentam problemas motores ou de comunicação, mas sim problemas de caráter emocional, como a depressão, por exemplo. Essa etapa inicia-se como esporte e quem dá aulas é um técnico de equitação.



Qual a importância do psicólogo na Equoterapia?



Ylna O psicólogo é fundamental para dessensibilizar os medos que o paciente já traz consigo e para que o contato com o cavalo não acarrete problemas psicológicos futuros. Se a aproximação não for bem sucedida, pode deixar seqüelas para outras situações futuras e comprometer o sucesso do tratamento.



Pamela O psicólogo exerce papéis bem definidos em cada área da Equoterapia. Na hipoterapia, o psicólogo trabalha os primeiros contatos dos pacientes com o animal, com a equipe, com os outros pacientes e a relação paciente família. No nível psico-educacional, o profissional desenvolve áreas distintas, tanto as emocionais quanto as áreas cognitivas. Na área esportiva, ele observa as reações do paciente às instruções do técnico, como se dá a interação cavalo e ginete, além de investigar outros aspectos como amigos e escola. Além disso, o profissional percebe como está estruturada a organização da equipe, contribuindo assim para um ambiente de trabalho mais harmônico e eficaz.



Como a equoterapia pode ajudar na reabilitação de menores infratores?



Pamela A Equoterapia também pode ajudar menores infratores a serem inseridos socialmente. As características comuns a esses jovens é a falta de manejo do seu autocontrole, a agressividade e o fato de possuírem famílias problemáticas. A Equoterapia faz com eles percebam que, do mesmo modo que passam do trote para o galope, podem manter o controle e obedecer a certas regras impostas. Inseridos em uma atividade, jovens infratores respeitam os horários e se tornam mais responsáveis e organizados. Também se observa que há um aumento significativo auto-estima quando eles se sentem capazes.



Ylna No Brasil existem centros de recuperação de menores, geralmente em parceria com a policia montada. Através da Equoterapia, o menor infrator pode mostrar o que ele tem de melhor, pois nós não trabalhamos com as incapacidades nem com os distúrbios de conduta do paciente, e sim com suas potencialidades. A rotulação de ser um menor infrator desaparece com a Equoterapia, pois eles são colocados em outro contexto, onde desenvolvem novas capacidades e são mais bem vistos, não só socialmente, mas também pela família.



Qual é a origem da Equoterapia?



Pamela Os primeiros exercícios de equoterapia começaram na década de 50, quando a campeã de equitação Liz Hartel sofreu uma lesão decorrente da poliomelite. Mesmo necessitando de ajuda para subir no cavalo devido à perda da sensibilidade dos joelhos para baixo, a amazona escandinava conquistou medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Helsinki, Finlândia. Historicamente, a Hipoterapia já era mencionada por Sócrates, Hipócrates, etc., porém, foi Liz Hartel quem demonstrou que a equoterapia é muito ampla e pode se adaptar a diversas situações. Depois de sua vitória, foi criado o primeiro centro especializado, na cidade americana de Chicago em 1969. Desde então, a equoterapia se organizou: formou a Federação Internacional de Equoterapia e posteriormente muitos países organizaram

suas próprias federações.