O cavalo no Império Persa

O que permitiu tamanho poderio foi sem dúvida a força do exército persa – estruturada ao redor de seus cavaleiros e carruagens de guerra. De fato durante o reinado de seu maior líder, Cyrus, o Grande, as moedas eram forjadas contendo sua imagem sobre um cavalo. Toda a civilização baseava-se no convívio e manuseio destes animais, embora apenas os aristocratas pudessem possuir cavalos. De acordo com o grande historiador grego Herodotus (484-430 A.C.), os jovens persas eram educados a seguir três princípios: “dizer sempre a verdade, saber usar o arco e cavalgar”. O próprio historiador resumiu bem a força do exército persa: “Os cavaleiros e suas carruagens fatais são invencíveis; não há homem capaz de vencê-los”.
A raça mais utilizada era a já extinta Nisean, provavelmente os cavalos mais fortes da antiguidade, também utilizada pelos babilônicos e assírios. Criada na região do atual Irã, pouco se sabe sobre sua origem – supõe-se que foram criados a partidos do cruzamento de Tarpans e de um cavalo similar ao atual Caspian. Era o mais alto da época: com 1,52 metros, pareceria pequeno comparado às raças de hoje!
Os persas não utilizavam arreios, usando apenas tecidos grossos no lugar da sela; assim, eram capazes de controlar os animais apenas com as pernas. Os cavalos também eram usados em atividades esportivas, como corridas e no “Chaugan”, similar ao Polo atual. Esta civilização também foi a primeira a usar os cavalos para a entrega de correspondências, sendo os precursores dos famosos Pony Express norte-americanos: possuíam postos de controle ao longo de seu território com cavalos prontos para fazer qualquer entrega!
O responsável por isso foi Cyrus, cujas inovações reduziram o tempo de percurso entre as cidades de Susa e Sardis de 3 meses para 2 semanas. Para atravessar rapidamente essas 1500 milhas havia vários postos com cavalos, que se revezavam fazendo trechos pequenos.
Como era usual nas civilizações da época, os cavalos estavam presentes em várias representações religiosas. O deus persa Ahura Mazda, a grande divindade deste povo, guiava uma carruagem puxada por quatro cavalos. Nas batalhas, era comum que uma carruagem vazia acompanhasse o exército, para simbolizar a presença deste deus entre seus súditos. O deus da guerra, Verethragna, muitas vezes era personificado como sendo um majestoso cavalo branco.
Durante sua supremacia os persas eram constantemente invadidos pelos Scythianos e pelos Parthianos, também exímios cavaleiros. Mas foi apenas com Alexandre, o Grande, sobre o qual falamos na edição #21 da Mundo Equestre, que os Persas encontraram seu inimigo mortal, sendo derrotados para assim dar lugar aos impérios grego e romano, os precursores da nossa atual
sociedade.

Cavalo de Persépolis
Persépolis foi a capital da antiga Persia. Era uma cidade exuberante, decorada com obras de arte das quais, infelizmente, poucas sobrevivem até hoje.
Quando Alexandre Magno conquistou a cidade, ele deu ordens aos Macedónios para que a destruíssem, de forma semelhante ao que tinha feito com a cidade de Tebas, quando a Grécia foi conquistada.
A maioria das esculturas também foi destruída no processo e o que resta hoje é uma pequena porção que serve como testemunha da grande capacidade artística daquele povo.
Ao lado temos uma escultura de um antigo cavalo persa, uma das muitas estátuas que já decoraram os palácios dos reis.

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