Texto: Luís Fernando Monzon | Foto: Raphael Macek
O polêmico uso das gamarras.
Em tempos em que se discute a vida útil dos cavalos, muitos jovens cavaleiros me perguntam como devem, ou se devem usar a “gamarra” ou “martingal de anéis”, como preferem os puristas. Inicialmente, recomendo que usem sempre, mas atentem para o seu correto uso. A gamarra é um limitador dos movimentos das rédeas, não tem, como uns poucos acreditam, nenhum efeito abaixador da cabeça ou do pescoço. Usada muito longa, não tem resultado algum; muito curta, dá um apoio falso ao cavalo que tende a elevar a cabeça e inverter o pescoço. Ao elevar a cabeça, principalmente na abordagem do obstáculo, o cavalo atrasa seu movimento de espáduas, dificulta seu engajamento e realiza um salto nada natural. Não raro, obriga o cavalo mais cuidadoso a se torcer no ar, castigando sua coluna e articulações. Nos menos “limpos” provoca faltas de anteriores e dores lombares, musculando de forma indesejada a base do pescoço.
Bem ajustada, esta ajuda auxiliar traz a vantagem de amortecer e limitar as variações involuntárias das mãos de cavaleiros inexperientes; aos experientes, auxilia a manter a cabeça e o pescoço retos, canalizando o movimento e facilitando a participação em competições. Um cavalo ainda inexperiente e com o adestramento incompleto deve sempre usar esta ajuda.
Um bom teste para o conjunto é fazer percursos reduzidos, em número de esforços e altura, sem o uso da gamarra. Os problemas surgirão naturalmente e sem grandes incidentes. Pode ser um ótimo indicador de quanto falta evoluir no trabalho de plano. O cavalo deve ser entendido como um aluno tímido e disperso, só reclama da dor e perde a atenção com a repetição desnecessária. Trate de usar cautela e muita estratégia, nunca sendo impaciente. As reações violentas e a perda da calma são os frutos que certamente serão colhidos por aqueles que desrespeitam a velocidade de seu aprendizado. Defeitos difíceis de ser contornados mesmo pelos melhores praticantes, que devem defender a longevidade de seus animais.
Não considere o uso do martingal um mal necessário, o que se deve ter em mente é que um cavalo só está pronto quando se puder prescindir de seu uso e, portanto, é um bem desnecessário. Isto está provado pelas belas apresentações do grande mestre Michel Robert, que encantou o Brasil ao saltar com as rédeas abandonadas após vencer, sem gamarra, os dois GPs de domingo do AOIHS – SP (2008), uma aula… Outro fantástico exemplo de que é possível vencer e encantar sem este usual artifício é o conjunto Francisco Musa e Brasileiro de Hipismo Xindoctro Método, uma comprovação!




Parabéns aos profisionais idealisadores desse canal de informações pela simplicidade,clareza e forma técnica com que explicam as matérias.O mundo do cavalo só tem a ganhar .